Dicas de livros para não perder a fé na humanidade

Medo e insegurança são alguns dos sentimentos despertados em nós, especialmente se nos deixarmos ser contagiados e  bombardeados pela cultura do medo, presente muitas vezes na televisão e até na internet. Embora as notícias sejam assustadoras e por vezes nos desanimem e nos encham de tristeza, todas essas coisas possuem antídoto! No artigo de hoje, você acompanha algumas dicas de livros que podem trazer um pouco de tranquilidade para os nossos dias e ajudá-lo a resgatar a esperança e fé na humanidade. Não deixe de conferir.

dicas de livros para não perder a fé na humanidade

No meio das confusões do mundo

Estamos vivendo nos últimos anos períodos tão conturbados que têm tornado cada vez mais difícil acompanhar as notícias do Brasil e do mundo pelos meios de comunicação.

São guerras motivadas por disputas imperialistas, epidemias, confrontos políticos devido à polarização direita x esquerda, desastres naturais – que possivelmente poderiam ser evitados não fosse a ação irresponsável do Homem -, chacinas, entre outras tantas notícias ruins que diariamente estão estampadas nos noticiários.

Embora diariamente também ocorram coisas boas – provavelmente em proporção muito maior que o oposto – essas notícias dificilmente ganham destaque. Nesse contexto, é preciso estarmos alertas e nos policiarmos para não deixar que as confusões do mundo afetem a nossa serenidade nem nos façam perder a fé na humanidade e em dias melhores.

Nutrirmos nossa mente com coisas edificantes como a arte e cultura é de extrema importância. Ouvir boas músicas, praticar yoga, meditação, são algumas opções.

No meu caso? Sempre achei a leitura o melhor caminho. E é por isso que, no artigo de hoje, eu selecionei uma lista com 7 dicas de livros para você não perder a fé na humanidade.

São livros que já me ajudaram em momentos distintos da vida, me trouxeram um pouquinho de otimismo e serenidade e me ajudaram a recuperar a esperança. Espero que ajude você também. Confira.

7 dicas de livros para não perder a fé na humanidade

1. O meu pé de laranja lima – José Mauro de Vasconcelos

Publicado em 1968, O meu pé de laranja lima é um dos maiores clássicos da literatura brasileira infanto-juvenil. De caráter biográfico, narra a história do autor durante a infância.

Zezé era um garotinho inocente e muito precoce, que aprendeu a ler sozinho aos 5 anos de idade mesmo em meio a pobreza no bairro Bangu no Rio de Janeiro. Era o segundo mais novo entre os seis irmãos e seu sonho era ser poeta (de gravata borboleta e tudo).

O livro narra a sua descoberta do mundo com sua precocidade e pureza e tem como ponto forte a amizade regada a ternura com o Portuga.

Aliás, ternura é o que mais se encontra nestas páginas de um jeito que, embora triste, aquece o nosso coração.
Minha frase favorita do livro é: “A vida sem ternura não é lá grande coisa.” (p.183)

É dita ao final do livro como uma constatação de um Zezé já adulto. É emocionante!

2. Como viver eternamente – Sally Nichols

Embora tenha esse título aqui no Brasil, Como viver eternamente não trata-se de um livro de auto-ajuda.

É um romance publicado em 2008 e narra a história do garotinho Sam, de onze anos, que tem leucemia e, mesmo doente, se mantém otimista e dedicado a aproveitar seus últimos dias vivendo intensamente seus sonhos.
Ele ama escrever, ama fatos e ciências. E adoraria beijar uma garota!

Com a ajuda do seu melhor amigo Félix, vive momentos divertidos com os quais nos deliciamos através de suas páginas. É uma leitura leve e muito comovente, que nos possibilita a reflexão sobre a nossa própria vida e como a conduzimos.

3. Outros jeitos de usar a boca – Rupi Kaur

Livro de estreia da feminista indiana, Rupi Kaur, foi publicado em 2014 e reúne poesias e ilustrações feitas pela escritora.

O livro tem um tom autobiográfico e narra o caminho de sobrevivência percorrido por ela. Embora marcado pelo abuso, violência e perda, carrega ao fim um tom de esperança e força, tanto que os capítulos são divididos de forma, na minha opinião, genial: a dor, o amor, a ruptura e a cura.

Um dos meus trechinhos favoritos do livro:

Como você ama a si mesma é
como você ensina todo mundo
a te amar

Mais do que recomendado para quem, assim como eu, é apaixonado por poesias.

4. A sabedoria da transformação – Monja Coen

Este livro não chega a ser bem sobre o budismo, mas apresenta alguns pontos dessa filosofia maravilhosa da qual a Monja Coen é uma das principais divulgadoras no Brasil.

O livro é formado por breves capítulos que nos chamam a atenção para alguns temas do nosso dia a dia e nos levam à reflexão. E mais do que isso: direciona o nosso olhar para o aqui e agora.

Um trecho que me marcou muito durante a leitura foi a comparação que ela faz do seres humanos com os cavalos.

Para ela, o Homem pode se comparar a quatro tipos de cavalos:
“Há cavalos que correm ao ver a sombra do chicote.
Há cavalos que correm ao receber uma chicotada no lombo.
Há cavalos que só correm ao receber uma chicotada que lhes corte a carne.
Há cavalos que só correm quando a chicotada chega até seus ossos.” (p.116)

Com esta analogia, ela nos possibilita refletir sobre o nosso processo de despertar no mundo.
E aí, qual tipo de cavalo é você?

5. O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry

Um dos livros mais lidos por todo o mundo, O Pequeno Príncipe foi publicado pela primeira vez em 1943 e traduzido para mais de 220 idiomas e dialetos.

Narra a história de um aviador frustrado na vida cujo avião cai no Deserto do Saara. Após o acidente, depara-se com um garotinho de cabelos de ouro e cachecol amarelo que lhe pede que desenhe uma ovelha.

Os dois se tornam amigos e no decorrer da história vamos conhecendo um pouco mais sobre a origem do principezinho que habita o Asteróide B-612.

Esse é mais um livro que assume caráter autobiográfico, pois é carregado de referências da vida de seu autor. Possui também um teor filosófico, possibilitando ao leitor diversos questionamentos, como por exemplo, a amizade, a simplicidade das crianças, o fato de os adultos perderem a criatividade com o passar dos anos e muitas outras.

Minha frase favorita do livro:

“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieto e agitado: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração…”

É ou não é para deixar o coração quentinho?

6. Meu quintal é maior do que o mundo – Manoel de Barros

Mais um para os amantes da poesia: Manoel de Barros!

Como é próprio da poesia deste autor, seus versos são carregados de sutileza. São uma exaltação da natureza, das coisas e seres desimportantes, como ele mesmo diz.

Traz em suas páginas uma forma muito mais bonita de ver a vida, carregada de pureza e simplicidade, como as dos versos a seguir:

Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.

É para se apaixonar, não?

7. Por um fio – Dráuzio Varella

Neste livro, o médico brasileiro mais conhecido pela sua atuação na TV Globo, traz inúmeros relatos de seus pacientes em estágio terminal e seus desafios na aceitação da morte.

O livro é conduzido com muita leveza e mostra uma medicina mais humanista, na qual o paciente é enxergado para além de sua doença e sintomas.

Além disso, o médico traz alguns relatos sobre sua própria vida, a morte da mãe enquanto ainda era um garotinho, o exercício do voluntariado em presídios brasileiros – destaque para o Carandiru – e o enfrentamento do câncer e morte do seu irmão caçula aos quarenta e poucos anos.

História inspiradora, com relatos tocantes que nos confrontam em nossa própria realidade para refletirmos sobre a morte mas, principalmente, sobre a vida.

Agora é com você!

Depois de conhecer essa lista com 7 livros incríveis para recuperar a esperança e a fé em dias melhores, só falta escolher a próxima leitura.

A vida pode ser bonita com coisas simples, nós só precisamos começar a apreciá-las. Boa leitura!

 

Gabriela Carvalho

No meu diploma universitário nomearam-me “Química”. Nunca me senti uma. Enquanto passageira nessa vida, tornei-me uma viajante sem destino certo e poetisa nas horas vagas, com o objetivo de contagiar as pessoas a minha volta com o amor pela leitura, música e cultura popular brasileira.

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