A poesia fotográfica em Yoga: Arquitetura da Paz

A busca pela prática da Yoga, em muitos casos, surge da dor. Foi assim com o precursor da Yoga no Brasil, José Hermógenes de Andrade Filho, que procurou a prática depois de sofrer com a tuberculose. E igualmente foi o que aconteceu com o fotógrafo americano Michael O’neill, retratista que costumava fotografar celebridades como Orson Wells, Martin Scorsese e Di Caprio. Depois de passar por uma cirurgia e receber o diagnosticado de que não poderia mais usar o braço direito – o principal instrumento de seu trabalho na fotografia – , O’neill não aceitou a ideia de que viveria com uma deficiência. Ele buscou a yoga e a meditação como tratamentos alternativos. O resultado foi uma imersão nessa cultura rica e impressionante que tem suas raízes na Índia.

o fotógrafo michael o’neill percorreu durante dez anos caminhos que o levaram a gurus e mestres da yoga. foto: reprodução

Muito mais do que praticar e conhecer a fundo a cultura, O’nneil entrou com a sua alma inteira no projeto.

“Eu decidi, muito antes, que eu me concentraria em ‘criar’ fotografias em vez de tirá-las. Que eu me empenharia em fazer disso um tipo de conexão emocional e espiritual”,

Foram dez anos fotografando mestres e gurus, que acabaram indo parar no livro Yoga: Arquitetura da Paz, publicado em 2015. Hoje, o livro também virou um documentário cheio de poesia e genuinidade.
O documentário, homônimo e dirigido pelo brasileiro Heitor Dalia, disponível na Netflix, é uma mescla entre a história do fotógrafo, que se entrelaça com a prática da Yoga, e a história de muitos mestres, praticantes e adeptos a essa prática, e que buscam com ela a harmonia entre o corpo e a mente.


As imagens de O’nneil ganham movimento e fluidez quando o diretor decide percorrer o mesmo caminho feito pelo fotógrafo pela Índia e em Nova York. Durante o longa não encontramos conceitos ou teorias sobre posições e seus benefícios, e sim, uma bonita imersão dentro de cada personagem e o significado particular da prática para cada um, a busca pelo seu autoconhecimento, plenitude e felicidade, que inevitavelmente encontram com o caminho da prática da yoga.


Pra mostrar um pouquinho das definições que o longa traz, separei duas frases ditas por dois entrevistados e que me chamaram muito a atenção. Sobre a fluidez e sobre a filosofia de uma prática que vai muito além do tapetinho.

“O verdadeiro sentido da yoga é união. Essa união não é externa a nós, ela está dentro de nós também. Precisamos dessa união através da yoga, não apenas ficar se curvando. Porque yoga não é só uma aula de 45 minutos. Yoga não é apenas no tapete. Yoga é fora do tapete. Todo minuto, todo momento, todo karma, todo pensamento. Toda ação, todo suspiro é yoga. Yoga é o que você é”.
H.H Pujya Swami Chidanand Sarawati

 

E aqui, uma espécie de metáfora entre yoga e … música:

“Quando eu penso sobre a espiritualidade da Yoga, a metáfora que realmente se comunica comigo é a música. E Yoga é musica. O corpo é o instrumento, a mente é o músico, sua respiração é o tom, e você toca a música, você aprende música, você ouve música. Para tranquilizar a alma, acalmar a alma da pessoa, do coletivo…” Nevine Michaan

Ficha técnica – Yoga: Arquitetura da paz

Direção: Heitor Dalia
Duração: 87 minutos
Nacionalidade: Brasil / EUA / Índia / China
Ano: 2017
Distribuidor: Pagu Filmes

Liciane Brun

Jornalista em aprendizado constante e com a alma mesclada entre o amor pela cultura e tudo o mais que trouxer leveza. Encontrou na escrita um pouco de paz. Permite-se a clichês: amar e mudar as coisas interessa mais.

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