A desconstrução dos padrões corporais está além da “opinião alheia”

Na última semana, o preconceito vivenciado pela atriz Cacau Protásio trouxe à tona o racismo e a gordofobia latentes na sociedade. Casos como o da comediante fazem refletir sobre padrões que foram criados e o lugar que foi atribuído aos gordos e gordas no meio social.

Instagram @cacauprotasiooficial

O corpo gordo (e o negro!) ocupa um espaço de resistência. Ele se tornou algo público, onde todos parecem ser ensinados e permitidos a emitir juízo de valor. Assim, numa sociedade que normatiza a magreza, é imposto ao corpo gordo à discriminação e exclusão.

A estigmatização do corpo gordo não se limita apenas às questões estéticas, mas se torna presente no dia a dia de mulheres e homens em diferentes dimensões. O preconceito questiona a capacidade profissional, a saúde e os relacionamentos, por exemplo. Ele também exclui, seja através da falta de acessibilidade em transporte público e de uma indústria de moda que limita suas numerações de roupas. A quantidade de gordura no corpo é medida para que as pessoas sejam ironizadas, criticadas e inferiorizadas.

Se você está em processo de libertação dos padrões e estabelecendo uma nova relação com o seu corpo, crie uma rede de apoio e identificação. Para isso, cultive hábitos que vão te auxiliar a se fortalecer e reconhecer seu potencial e sua beleza. Entre eles: siga nas redes sociais e se inspire em pessoas com corpos semelhantes ao teu; aproprie-se de filmes estrelados por pessoas gordas; participe de espaços de debate sobre o corpo e a gordofobia que visam a desconstruir a padronização.

Não deixe que a imagem que você tem sobre você (e seu corpo) seja influenciado pelo preconceito disfarçado de “opinião alheia”, que causa sofrimento. Cultive o seu amor-próprio, tema que fez parte de uma iniciativa da youtuber Alexandra Gurgel, do Alexandrismos. Em 2016, ela lançou a “Maratona do Amor- Próprio”, que contou com 31 vídeos com dicas e formas sobre como começar a ser amar e desenvolver a autoestima.


Apesar disso, o caminho de cada pessoa para romper com paradigmas e desconstruir limites que a sociedade impôs sobre o seu corpo é único. Trace a sua jornada, redescubra-se e transforme a sua maneira de posicionar no mundo. Casos como o de Cacau Protásio não são isolados e acontecem diariamente, por isso a trajetória é de luta constante… Mas também é de libertação!

 

Leticia Sarturi

Jornalista. Mestre em Comunicação, Arte e Cultura. Pós-graduanda em Estudos de Gênero. Acredita no poder das palavras para promover a representatividade e o respeito à diversidade. Bota fé na empatia para transformar o cotidiano... E é apaixonada por moda e caveiras.

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