Sofrer faz parte, e está tudo bem.

Não existe “caso” perdido para o autoconhecimento. Independente de quem você seja e do que esteja vivenciando, sempre há uma portinha, dentre as tantas possíveis por onde podemos escolher entrar, que nos levará a saber um pouco mais de nós e, consequentemente, a avançarmos na caminhada rumo à nossa evolução.

E hoje quero tratar do sofrimento e do seu potencial para nos conduzir a uma vida mais plena. Afinal, acredito que a grande maioria das pessoas esteja vivenciando este momento atual como desafiador e sentindo, no mínimo, um pouco de desconforto.

Para começar, estar sofrendo significa que estamos diante de uma grande oportunidade de aprendizado. Hermógenes (um dos pioneiros do Yoga no Brasil) costumava parabenizar quem lhe confidenciava estar passando por um momento difícil dizendo que estes são os momentos com maiores chances de crescimento (vale a pena conferir o livro Yoga para Nervosos do autor).

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E o aprendizado que o sofrimento pode nos trazer está relacionado a muitas coisas. Inclusive a conseguirmos nos acolher enquanto a dor está apertando. No livro Sem lama não há lótus: a arte de transformar o sofrimento, o Monge vietnamita Thich Nhat Hanh comenta que diante do nosso próprio sofrimento nossa primeira atitude deve ser nos acolher.

Aceitar que há dor e nos cuidar: nos darmos carinho e sermos compassivos com nós mesmos, entendendo que está tudo bem não estarmos bem, que faz parte e que  merecemos nos permitir vivenciar a dor.

Ele usa da analogia do bebê que está chorando. Neste momento, resta à mãe apenas pegar a criança no colo e dar-lhe amor. Somente depois que a criança se acalma é o caso de investigar o motivo do choro para tentar achar uma solução mais definitiva.

E ter este primeiro aprendizado já é muito grandioso. Afinal, nossa tendência muitas vezes é colocarmos negatividade em cima de negatividade. Tá tudo bem estarmos tristes, não conseguirmos trabalhar (direito), sermos mais fri@s com as pessoas… Quanto antes aceitarmos este estado que apesar de não ideal é o natural do momento, antes conseguimos sair dele. Colocar máscaras de que está tudo bem apenas adia o processo e aprendizado.

Após termos nos acolhido e estarmos mais calm@s, podemos olhar pra dor e tentar compreendê-la melhor: o que estou sentindo? o que está doendo? Também podemos nos perguntar sobre quem em mim está sofrendo? Por exemplo: a Carolina que se sente não amada? A Carolina que se sente incapaz?

Sem cair no vitimismo, acusando terceiros (o que não significa que não tenham suas responsabilidades, mas ficar olhando pra eles em nada vai ajudar), olhar exclusivamente para si e identificar de onde de dentro de si vem a dor.

Estamos aqui diante do segundo grande aprendizado que podemos ter diante de um sofrimento. E ver a verdadeira origem – dentro de nós – de um sofrimento costuma revelar crenças profundas e responsáveis por muitas outras situações anteriores de sofrimento. Ou seja, é algo muito grandioso! É um padrão que se repete e que, se não for curado, seguirá se repetindo e nos levando a novas experiências dolorosas.

Neste momento pode ser muito útil contarmos com a ajuda de psicólogos e terapeutas que nos ajudem a identificar este padrão interno. Mas se você não tiver como investir nesta ajuda especializada, você também pode usar da escrita. Eu enchi cadernos durante anos de muita auto investigação. Também há muitos conteúdos interessantes em livros e na internet que podem ajudar.

E eis que chegamos ao grande e último aprendizado: o de, após ter identificado o padrão interno que estava não só atraindo a situação de sofrimento como, claro, gerando toda a dor, conseguir superá-lo.

Até hoje não tenho compreensão muito clara de como ele ocorre. Já conversei com psicólogos e terapeutas sobre este passo e o que ouvi é de que não temos como saber quando o gatilho do entendimento da etapa anterior vai surtir o efeito de nos libertar da crença limitante.

Aqui saímos da lógica do racional. O aprendizado da etapa anterior nos ajuda a, no dia-a-dia, atentos, não cairmos no padrão que identificamos. Mas quando somos pegos de surpresa lá estamos nós novamente incorrendo pela(s) nossa(s) sombra(s)… sinal de que ela(s) ainda está(ão) lá.

Será que não é possível nos libertarmos definitivamente da influência dela(s)? Da minha experiência, além da auto-observação da etapa anterior, o Yoga como um todo é muito importante para alcançarmos esta libertação maior.

A combinação de ásanas (exercícios físicos) e especialmente meditação, além de todo um conjunto de técnicas e hábitos, não só te ajuda na transformação química e neuronal, como mantém na vibração elevada, não mais te recolocando no padrão inferior onde a tendência negativa também está.

Veja, portanto, de onde podemos sair e onde podemos chegar diante de uma situação de sofrimento. De alguém com desconforto e grande incompreensão sobre si e seus padrões internos a alguém que se transformou a tal ponto que, além de ganhar um estilo de vida muito mais saudável e equilibrado, se libertou de crenças que reiteradamente geravam algum tipo de mal estar.

Com estas reflexões, não espero que você siga esta suposta fórmula matemática que eu, na linha dos meus estudos e práticas, apresentei.

A ideia é apenas te inspirar a encontrar o teu caminho para fazer do limão amargo do sofrimento uma limonada gostosa e que ainda alcaliniza todo o teu ser com muita consciência.

Carol Suptitz Kushalinii

Eterna otimista e apaixonada pelo ser humano, tendo encontrado no Yoga e no Autoconhecimento as explicações e ferramentas que confirmam e orientam o meu agir nesta minha intuição e sentir.

 

 

 

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