Precisamos falar sobre rupturas e injustiças: uma entrevista com Ana Cardoso

A escritora Ana Emília Cardoso – autora dos livros A Mamãe é Rock e A Mamãe é Punk, chega em Santa Maria nesta terça-feira, dia 27, para uma palestra. A Vez das Mulheres será apresentada no Salão de Atos do conjunto 3 da Unifra, às 19h30min (os ingressos podem ser adquiridos na Athena Livraria e na Eny Feminina).
Jornalista, socióloga e escritora, Ana Emília é casada com o comunicador Marcos Piangers e é envolvida em diversas causas de luta pela igualdade. Fundou e coordena o projeto cultural Bonne Chance, que oferece aulas de francês para refugiados. Ainda é integrante do coletivo feminista Casa da Mãe Joana e trabalha na startup Canal Bloom, um canal que orienta pais e cuidadores de crianças de zero a seis anos a criar crianças mais saudáveis emocionalmente.
Antes de chegar a Santa Maria, Ana Emília conversou com a gente sobre as suas lutas diárias pela igualdade, sobre o trabalho e contou um pouco sobre como vai ser o bate-papo desta terça-feira, na Unifra.
Confira:

Foto: Lufe Gomes

Leve-se – Tu não és apenas a autora dos livros “A Mamãe é rock / punk”. Também tens envolvimento em várias atividades bacanas: um projeto com refugiados, um coletivo feminista, és jornalista, socióloga e mãe. Como concilias tudo isso e como enxergas a importância do teu envolvimento profissional?

Ana Emília Cardoso – Duvido que alguém consiga desempenhar apenas um papel. A vida nos exige isso. Não tem como ser só mãe, por exemplo. Quem paga as contas? O pai? Então, péra, você já é mãe e esposa. Os filhos precisam de auxílio na escola, você tem que saber as coisas, têm que inspirar seus filhos. Some aí um trabalho que dê sentido à sua vida e mais um monte de paixões e inspirações. A vida fica insana, mas viver é isso.

Quais são as tuas formas de lutar por uma sociedade mais igual?

Ana Emília – Falando sobre o assunto, escrevendo, não me calando quando presencio algo que me incomoda. Eu gosto muito de falar sobre situações que incomodam as pessoas. Muitas vezes, por não saber dar nome aos casos, tem gente que não sabe falar e sequer entende situações de machismo em seu próprio cotidiano.

Tu és mãe de duas meninas. Já abordas com elas essa questão da desigualdade de gênero? Como é essa relação?

Ana Emília – Eu estou sempre falando sobre isso, mas penso que as crianças aprendem melhor com o que vêem e vivenciam do que com o que falamos para elas. Então, eu cuido muito mais para dar um bom exemplo e para incentivá-las do que converso sobre o assunto.

Foto: Michele Sautner

Foi lançado há pouco o livro, ‘A Mamãe é Punk’, sobre relação mãe/filhas. Já pensaste em escrever sobre outras temáticas, mas ainda voltadas à mulher?

Ana Emília – Sim, tenho muitos esboços de textos diferentes. Um romance pela metade, alguns contos no Medium, textos sobre o casamento. Ideias não me faltam. Falta tempo.

Como é a receptividade do público em palestras como a que você fez com o Marcos Piangers no TedX em São Paulo (veja o vídeo abaixo)?

Ana Emília – Às vezes alguém me escreve falando que achou maravilhoso, mas tem o outro lado sempre. Muitos homens, geralmente separados e privados legalmente da guarda, criticam com argumentos de fase biológica, como “a mulher que sabe cuidar”, “cada casal sabe o que é melhor pra si”, “se a mulher faz melhor, pra que o homem participar’, esse tipo de coisa. Eu nem respondo, porque estamos em 2018 e não nos anos 50.

Como vai ser a palestra em Santa Maria?

Há algum tempo milhares de mulheres que estudaram ou foram incentivadas a lutar e progredir estão aí, ocupando cargos que antes eram exclusivos dos homens. Isso é ótimo, se pensarmos que o empoderamento real é aquele promovido pela via financeira. Ter renda própria emancipa uma mulher. Por outro lado, é uma ruptura muito grande e muitos homens não estão preparados. Há conflitos, há injustiças e precisamos falar sobre isso.

Depois da conversa, Ana Emília vai autografar os seus livros, que estarão à venda no local.

Serviço:
A vez das mulheres, com Ana Emília Cardoso
27 de Março (terça-feira), às 19h30
Unifra, Conjunto III

Ingressos:
R$25 (estudantes) e R$30 (público geral), e poderão ser adquiridos na Athena Livraria (Centro e Praça Nova Shopping) e na Eny Feminina (Calçadão).

 

Liciane Brun

Jornalista em aprendizado constante e com a alma mesclada entre o amor pela cultura e tudo o mais que trouxer leveza. Encontrou na escrita um pouco de paz. Permite-se a clichês: amar e mudar as coisas interessa mais.

 

Inscreva-se

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *